sexta-feira, 1 de junho de 2012

Este atual Universo

Acolhendo às necessidades desta nossa contemporaneidade, os projetos de intervenção arquitetônica estão cada vez mais atuantes no contexto urbano. Mesmo sem qualquer resgate histórico de certas edificações existentes, essas inovações arquitetônicas, tanto de espaço como de uso, são consideráveis na transformação da cidade e suas alterações urbanas.
Hoje, nós, como seres contemporâneos, não só buscamos essa atualização, de estar continuamente neste presente urgente e fluido como tentamos sempre nos inserir nesta coexistência, seja através da edificação, do comportamento e das relações sociais.
Esse projeto resume um pouco dessa experiência e me remete a uma reflexão sobre a ação do arquiteto no plano da cidade. Aqui não se quis buscar nenhum retorno ao passado, nem tampouco trabalhar com questões de restauro ou preservação. Seja pelo fato da edificação pré-existente não determinar qualquer conteúdo de considerável valor histórico-artístico, mas principalmente pela importância em atender aos anseios e necessidades do cliente.
Um Studio Fitness, um espaço para se cuidar da saúde física e mental, é, atualmente, um lugar intencional e orgânico nesse mundo frenético que vivemos.
Como cada projeto é um caso em particular e não existe uma receita básica, buscou-se responder a essa esfera da contemporaneidade através de uma intervenção arquitetônica prática e convencional, conciliada ao empenho fundamental das pessoas envolvidas.
E fica aqui um momento de reflexão sobre essa necessidade de avaliação crítica a respeito das relações entre espaço construído e novas intervenções, procurando, sempre que possível, que aconteça um resgate histórico aliado à condição contemporânea.

Obra: Studio Fitness, Universo Feminino
Projeto: Annie Carrera & Simone Torres
Data do projeto/obra: 2011 - 2012
Local: Campinas - SP







quarta-feira, 23 de maio de 2012

Enxerga-te a ti mesmo...

Você já se imaginou caminhando por nosso espaços públicos sem poder enxergar uma luz sequer? Ou mesmo já se encontrou dentro de um ambiente sem a mínima iluminação? Pois é... imagine.

Há algum tempo eu conheci o Centro Cultural Louis Braille aqui em Campinas. É uma ONG que desenvolve atividades junto a jovens e adultos cegos ou com baixa visão. Sua missão é promover a inclusão social e o exercício da cidadania das pessoas com deficiência visual, tendo como objetivo o trabalho nas áreas educacionais, habilitação, reabilitação e inserção no mercado de trabalho.

Como profissional da Arquitetura, para mim é um aprendizado e tanto! Conhecer um pouco mais dessas necessidades e as dificuldades de acesso das pessoas com deficiência visual, nos sensibiliza nos ideais de projeto e planejamento dos espaços, tanto para a educação, leitura, cultura, etc, como para a acessibilidade e autonomia de locomoção. É essa a percepção que precisamos ter. Vamos nos colocar no lugar do outro.

Hoje em dia, para todo e qualquer projeto é fundamental essa questão e programa de acessibilidade.

Piso táctil, elementos com saliências à uma altura adequada para evitar tantos acidentes, equipamentos com 'viva-voz' e muitos outros itens são indispensáveis para atender a essa necessidade. Vamos nos atentar, principalmente aos ambientes públicos ou mesmo em lugares com um fluxo diverso de pessoas.
O projeto da sede é de autoria do Arquiteto Roberto Leme e conta com um amplo espaço para atender aos usuários e realizar eventos. E, com a nova diretoria, novos projetos e muitas ideias, no início do ano participei do planejamento e reorganização de alguns espaços do Centro Braille. 


Além dessa consideração em compartilhar a experiência profissional, fica a gratificação em participar dessa ação, essa crescente demanda que é a inclusão social.


Fica aqui também mais uma dica muito especial:
Moura, Norma. A gente se acha demais... só porque enxerga! - Campinas, SP: Komedi, 2011
Centro Cultural Louis Braille de Campinas
Av. Antonio Carlos Salles Jr. nº 600
(19) 3252-6265 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Vanguarda & Contemporaneidade

Outro dia ouvi essa palavra: Vanguarda.
Fiquei pensativa e contemplativa. Então, tentei fazer uma analogia com a contemporaneidade... Será que é possível?
Segundo o Grande Dicionário Larousse Cultural da (nossa) Língua Portuguesa, a definição de Vanguarda é "o que precede sua época, por suas audácias" e também como "um grupo de indivíduos que se propõem a coordenar a propagação e a consolidação de novas ideias científicas, artísticas e culturais". Palavra original do francês avant-garde; frente, dianteira.
Já Contemporaneidade define-se como "qualidade de contemporâneo", ou seja, "o que é do mesmo tempo, da mesma época, ... ou o que é da época atual, do tempo atual".
Bem, atualmente, ano de 2012, século XXI, podemos nos descrever como vanguardistas ou simplesmente contemporâneos de fato.
Se nesta Era de Contemporaneidade onde tudo é possível, tudo pode, desde aqueles comportamentos moralistas, até o livre pensamento, gesto e linguagem, então, onde fica a vanguarda??
Se, para ser vanguardista é preciso ser audacioso e propagar novas ideias, o que dizer da espontaneidade da liberdade de expressão? Hoje, quando buscamos novos caminhos, quando inventamos novas maneiras de se viver, como nos tornarmos ousados, se tudo pode?
Dentro dessas infinitas maneiras de se viver, a vanguarda acaba ficando 'solta' dentro da contemporaneidade, que não a percebemos ou mesmo não temos a determinação em expressá-la. A vanguarda é sempre uma característica da época vigente. Ela sempre vai existir pela qualidade (ou não) do ser humano, que é ser inquieto.
Bem, se para homem contemporâneo tudo pode, que ele até se perde em meio a tantas possibilidades, quem sabe vanguarda é hoje, seguir as regras. O desafio é se desbravar e se arriscar seguindo uma linha.
Com esse pensamento, eu encontro novamente a máxima "menos é mais".
Conversando com meu marido a respeito deste tema, que aliás ele se interessou muito, por ser psicólogo e fenomenólogo existencialista, obviamente me esclareceu muitas coisas e não deixando suas palavras omitidas, ele nos finaliza dizendo:
- "Menos é mais" é vanguardista porque não adiciona mais uma proposta a um mundo superlotado de possibilidades. Descarrega o conteúdo poluente. (TORRES, André)
Convido a todos para discutirmos esse assunto, caso se interessem pelo tema. Deixem seus comentários e vamos descobrir como anda nosso comportamento vanguardista. Ainda fico na dúvida, será que ele existe?

Peñalba de Santiago - León, Espanha
Pueblo medieval declarado conjunto monumental en 1976 

Referências:

*Mies Van der Rohe: 
Arquiteto nascido em 1887, é considerado, juntamente com Walter Gropius e Le Corbusier, um dos mestres mundiais da arquitetura moderna. O rigor das proporções, a valorização da infra-estrutura como elemento estético, e a precisão do detalhe foram os três princípios que nortearam a sua criação. O estilo ascético de Van Der Rohe era reafirmado pela expressão que costumava utilizar como justificativa do funcionalismo de seus projetos: less is more , ou "menos é mais".

*André Roberto Ribeiro Torres:
Mestre em Psicologia pela PUC Campinas
trabalha como psicoterapeuta especializado em Fenomenologia Existencial

*Peñalba de Santiago - León, España
Se encuentra situada a unos 20 kilómetros de la ciudad de Ponferrada, en el valle del río Oza, más conocido como el Valle del Silencio. 

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Efemérides: meus desejos e intenções


Não é porque este blog é sobre assuntos arquitetônicos que eu vou deixar de escrever sobre minhas particularidades, afinal, arquitetura faz parte das minhas escolhas, esse espaço me é livre e estou buscando, sempre que possível, atualizar meus interesses e conhecimento.
Hoje é meu aniversário.

Em épocas comemorativas eu sempre fico contemplativa, pensativa, analítica... Esses pensamentos humanos, evolutivos e eu diria até mesmo, funestos. Mas sempre produtivos!!
Não bastando ser meu aniversário, minha idade está começando a se tornar um número desnecessário para qualquer apresentação, porém de importância transformadora.
Ganhei um livro! Não vou dizer de quem... só vou dizer que é de alguém com quem possuo uma enorme afinidade e que sabe muito bem presentar com livros e além disso soube ensinar seus descendentes o mesmo preceito.
Uma questão muito peculiar deste livro é que a escritora, após inúmeras atividades ao longo da vida, começou a escrever aos 43 anos. Começou com livros infantis, chegando aos romances e recebendo prêmios e menções. Isto me comoveu.
Considerando que na minha vida tudo parece acontecer tardiamente...
Encontrar o verdadeiro amor, ser mãe, retomar os estudos, amadurecer emocionalmente e se perceber profissionalmente. Enfim, muitas coisas ainda podem acontecer!
Por isso tudo, ontem, eu fiz uma lista.
As vezes é bom fazermos lista. Nos ajuda a compreender o ensejo e organizar as ideias.
Fiz uma lista de desejos e intenções para o novo ano. O bom de se aniversariar no final do ano é que as expectativas e esperanças se duplicam. São dois motivos para se renovar!! Olha que força!
Bom, minha lista até que não está pequena e não estão ali desejos tipo: "prometo emagrecer, ou deixar de comer pães... prometo só fazer o gosto, ou me encontrar com as amigas toda semana... ou ainda, prometo ganhar muito dinheiro!...." Não, não são essas aspirações que norteiam minha lista.
Primeiro que, após um certo tempo de vida, sabemos que promessas existem para não serem cumpridas. Se precismos realmente executar alguma coisa, simplesmente o fazemos, sem almejar ou exaltar qualquer sofrimento. É sempre melhor não prometer, ou faça, ou não comente a intenção em fazê-lo.
Segundo, com o passar do tempo, a lista se torna mais real. Sim, intentamos causas que são possíveis de ser formalizadas. Acho que é por isso que as pessoas se tornam felizes, ou melhor, encontram-se em estado de felicidade, afinal os sonhos já não são tão irreais. Que as angústias fazem parte do cotidiano e damos graças por elas existirem.
E minha lista está assim, com desejos e intenções plausíveis, ou não... mas isso não importa.
Desejo poder cozinhar alguma receita saborosa, com dedicação e temperos inusitados, podendo degustá-la com pessoas queridas; decorar a casa com carinho; conhecer lugares inéditos aos meus olhos, brincar de casinha com minha filhinha; costurar lençóis e almofadas em minha máquina de costura, que ganhei de minha avó quando fiz 18 anos; estudar e buscar novos conhecimentos de meu real interesse ou até mesmo fúteis, por que não?; ler, ler e ler; cuidar da saúde e isso inclui fazer sexo e despertar a libido; poder criar mais, trabalhar e arquitetar; brindar por qualquer motivo com os amigos e familiares e me socializar mais; e sem maiores pretensões, escrever, escrever e escrever, de tudo um pouco, poder expressar ideias e pensamentos.
E quem sabe um dia tudo isso se transforme em algo interessante e até inteligente e venha a se unir num livro, ou então que a minha vida continue sendo meu próprio livro com brancas páginas sendo escritas por meu próprio punho por todos os meus dias.

Parabéns Annie, atormente-se!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

CAU - Eleições 2011

Unidos pelo CAU dos Arquitetos, Ético, Social e Independente, acontece neste momento a primeira eleição para o Conselho Estadual e o Conselho Nacional de Arquitetura e Urbanismo. Como profissional não poderia deixar de manifestar meu interesse e expressar meu apoio à Chapa 2 que é composta por todas as entidades nacionais de arquitetos, traduzindo nossos anseios profissionais através deste Conselho próprio.

Veja maiores informações sobre a Chapa 2 no site http://www.cauchapa2sp.com.br
Esta eleição ocorrerá no dia 26/10 e pode-se obter maiores informações no site: http://www.cau.org.br/

domingo, 31 de julho de 2011

Transformação da sociedade, o ato de projetar e os valores da nossa memória

Foram essas expressões que me marcaram no IV Congresso Estadual de Arquitetos promovido pelo IAB neste fim de semana (30 de julho / 2011) em Jundiaí - SP, onde foram discutidas questões sobre "Espaço Sustentável", "Sociedade" e "Patrimônio".

O evento foi de ótima qualidade, com profissionais de excelente formação e vasta experiência que nos transmitiram de maneira clara e objetiva as questões mais importantes a serem discutidas na atualidade e procedidas o quanto antes. Veio muito a acrescentar à nossa profissão e a percepção de que vivemos em uma nova sociedade, com novos valores e conhecimentos.

Estamos no século 21, sim! E precisamos adquirir outros vínculos e conceitos, sejam para as grandes metrópoles com seus espaços públicos e suas habitações sofisticadas e as tantas imprescindíveis e necessárias habitações de interesse social, quanto aos pequenos e regionais municípios a fim de alcançarem um desenvolvimento planejado minimizando o impacto ambiental. É necessário que essa nova geração encontre novos valores e interesses, tanto históricos quanto culturais, para que futuramente conquistem um elo de memória com o patrimônio da cidade para que este não se perca no tempo e se transforme no espaço.
Muito foi dito, mas muito mais é preciso ser falado e principalmente agido e, apesar da boa qualificação desse congresso, a presença do público arquiteto para assisti-lo foi escassa... Infelizmente.

A Arquitetura é uma profissão nobre e, por isso, para fazer valer, requer um ofício digno.
Deixemo-nos compreender para o que de fato estamos servindo. É para atender à demanda de um mercado de consumo sem fim, no qual nos espelhamos de maneira glamourosa através de mostras de decoração com ambientes sofisticados e tecnológicos, que dizemos atender aos desejos da atualidade ou, se buscamos acolher a verdadeira demanda de uma sociedade que necessita de soluções através da elaboração de bons projetos, os quais, hoje, são chamados de "sustentáveis", com a finalidade de resolver os graves problemas sociais e que na realidade envolve toda a população de todas as cidades?

Por isso, arquitetos, cadê vocês??
Como estamos vendo e atuando a arquitetura hoje em dia? 
Cabe a nós percebermos quais as reais necessidades das cidades e seus espaços. 
Senão, vai sobrar pra quem?

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